30 anos de Audaces: entrevista com os fundadores Claudio Grando e Ricardo Cunha25 min read

Sumário:

Em 1992, prestes a concluir a graduação em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), os então universitários Claudio Grando e Ricardo Cunha ainda estudavam uma maneira inovadora de aplicar o conhecimento que haviam adquirido em sala. A única certeza naquela época era de que ambos queriam trabalhar com pessoas do bem, que compartilhassem dos mesmos valores e do mesmo objetivo: transformar vidas e empresas.

Inicialmente, os dois desenvolveram um software para otimização de corte de chapas de madeira voltado à indústria moveleira. Mas logo perceberam grande similaridade com problemas enfrentados nas confecções de moda. Nascia aí a solução fácil e intuitiva que viria a revolucionar a indústria fashion no Brasil e no mundo.

O nome Audaces vem da palavra Audácia, presente no DNA dos seus fundadores e da própria empresa. Há 30 anos ela é o combustível que impulsiona sócios e colaboradores a inovar, revolucionar e transformar a vida daqueles que também são apaixonados pelo que fazem, assim como a Audaces.

Hoje, três décadas depois, a Audaces se transformou em uma referência mundial em inovação tecnológica para o mercado da moda, exportando seus produtos para mais de 70 países e consolidando-se como líder e referência na América Latina.

Quer conhecer mais sobre a história, a visão de mercado e o que vem por aí nos próximos anos? Então leia abaixo a entrevista dos fundadores da Audaces, Claudio Grando e Ricardo Cunha.

Como surgiu a ideia de criar a Audaces?

Ricardo: Mesmo muito jovens, em 1992, a gente já entendia que aquilo que estávamos fazendo era algo legal. Estávamos dentro da universidade, em um contexto de tecnologia, começando a presenciar a demanda das empresas, já que muita gente batia à porta dizendo que precisava de soluções para determinados problemas – e nós já tínhamos consciência de que poderíamos fazer algo. E, ao nos aprofundarmos um pouquinho mais nesse trabalho, a gente viu que existiam algumas oportunidades de mercado. Então nós percebemos que chegava o momento de pegar aquilo que estávamos criando dentro da universidade e colocarmos na rua. É um pouco daquele retorno, né? A gente se forma na universidade para fazer alguma coisa na vida. E naquele momento em que decidimos montar a empresa a gente viu que essa oportunidade existia e era concreta.

Grando: Quando eu e o Ricardo estávamos para nos formar, e ainda em dúvida sobre o que faríamos “da vida”, nós tínhamos algumas certezas. A primeira delas era que a gente queria trabalhar com gente do bem. A segunda é que a gente queria levar tecnologia para as indústrias e para o mercado, gerar resultados e transformar a vida das pessoas. Mas, sem dúvida, o fator maior de decisão estava relacionado às pessoas: bom, vamos criar uma empresa porque assim a gente controla o ambiente, sabendo que teremos gente do bem com a gente.

Em que momento perceberam que a solução desenvolvida pela empresa poderia beneficiar a indústria da moda?

Ricardo: Essa é até uma situação engraçada. A gente começou o nosso trabalho de empresa desenvolvendo um produto que era para otimização de matéria-prima. Naquela oportunidade, a gente fazia para a indústria de móveis e, com o tempo, percebemos que poderíamos fazer algo de similar para a moda. Percebemos que, na indústria da confecção, existia um problema similar, e a gente começou a se aproximar um pouquinho dessa área para ver de que maneira a gente poderia atender. E é claro que naquele momento também a gente já fazia aplicações CAD, tinha desenho gráfico, usava computação gráfica, e aí a gente viu que as duas coisas se casavam: essa otimização da matéria-prima com a base de tecnologia que a gente já tinha no sentido de criação de aplicações CAD.

Grando: A gente começou em outras indústrias e sempre com Inteligência artificial, sistemas gráficos. E a solução que nós tínhamos para planejamento de otimização de corte de chapas de madeira, nós percebemos que tinha uma similaridade com a indústria têxtil e confecção. E a partir daí foi migrar e criar uma solução, porque entendemos que aí tinha um mercado igualmente interessante.

O que faz da Audaces uma empresa que se destaca no seu segmento de atuação?

Ricardo: Daria para falar muitas coisas. A gente tem muita dedicação no mercado em que a gente atua. E a dedicação se traduz por ir até o mercado, entender o cliente, criar coisas que eram de fato úteis do ponto de vista do usuário e não de um laboratório. Eu acho que existe um aspecto bem interessante também: o desafio. A gente sempre gostou bastante de se desafiar. Veja bem: dois jovens em um país da América do Sul, no Brasil, competindo com um monte de tecnologias pelo mundo, e a gente nunca se reduziu por conta disso. Fomos atrás do desafio. Muitas vezes as pessoas nos diziam que isso não seria possível, que era muito difícil de fazer. E a gente, mesmo assim, metia a cara e fazia. Eu acho que esse é um aspecto que traduz um pouco a questão da Audaces, da audácia. E, de fato, a oportunidade. A oportunidade surgiu. Da mesma forma como a gente tem uma origem local que é carente de tecnologia, existe muita oportunidade para tecnologia. E a gente, se apropriando deste conhecimento e deste valor, conseguiu fazer uma incursão no mercado bem vitoriosa.

Grando: A gente sempre desenvolveu tecnologia inovadora, diferente, com muita inteligência por trás e extremamente fácil de utilizar para o nosso cliente. O primeiro ponto que nos destacou foi a facilidade de uso das nossas soluções em comparação à alta tecnologia que nós utilizávamos dentro dos nossos sistemas. E também a transformação no negócio do cliente. Acho que esse é o nosso maior destaque. Uma coisa que me deixa muito tranquilo e que falo para as pessoas é que, quando a gente leva um produto com o conhecimento da Audaces para o cliente, a gente sabe que vai transformar o negócio e a vida dele. Porque a gente tá aplicando e gerando resultado ao cliente. Acho que esse é o grande motivo do nosso sucesso.

Audaces ISA – O Fashion PLM da Audaces
Audaces ISA – O Fashion PLM da Audaces

Como acontece o processo de desenvolvimento das soluções e equipamentos Audaces?

Ricardo: Esse contato com o cliente e com o mercado já nos traz muitas suposições do que poderia ser a tecnologia do futuro. E é claro que a gente também olha um pouquinho transversalmente. O que está acontecendo no mercado e como isso pode ser apropriado nas áreas em que a gente atua. Então eu diria pra você que tem um pouco de desafio: qual será o próximo desafio que iremos trazer para suprir uma necessidade do mercado? Então acho que existem esses dois componentes: a busca de conhecimento, a busca de novas pesquisas ou áreas afins, que podem ser aportados na área em que a gente tua. E, claro, um ouvido e um olhar muito atentos às necessidades do mercado.

Grando: Nós estamos bem próximos do cliente, então a gente analisa como é que a moda se comporta nos EUA, na Europa, na Asia, na América Latina e qual é o próximo passo de cada um destes mercados, visto que estão em momentos diferentes, e quais são as soluções que a gente deveria ofertar para essas indústrias de maneira que a gente possa colaborar com o desenvolvimento delas. A gente recebe também muitas sugestões de clientes para novos produtos e ferramentas. Mas somos reconhecidos por algumas disrupções que fizemos no mercado. O Digiflash, por exemplo, foi a primeira solução no mundo para digitalizar com foto, em 2004. Isso ninguém nos pediu, nós vimos a oportunidade de criá-lo. O 4D, mais recentemente, baseado na análise de como o estilista desenvolve moda há séculos. E a gente viu que as soluções de tecnologia, inclusive as nossas que existiam até então, não acompanhavam o processo natural de criação de um estilista. Então a gente criou uma pesquisa e desenvolvemos algo realmente disruptivo, uma tecnologia patenteada pela Audaces. E nasceu o 4D, que hoje é uma ferramenta única no mundo e que, pela primeira vez, o estilista tem uma ferramenta na mão dele onde ele consegue dar vida às suas criações em poucos minutos.

Além da Audácia, presente no DNA da empresa, quais outros valores movem a Audaces em direção aos seus objetivos?

Ricardo: A gente tem esse componente da audácia, como eu mencionei antes, mas existem algumas coisas que talvez sejam subjetivas. Nós gostamos muito de gente, de nos aproximarmos de pessoas que tem propósito, que tem desejo de evoluir. Um pouco daquela coisa de não querer parar enquanto souber que pode ir além. Então, esse componente “pessoas” é muito forte na nossa cultura. As pessoas que passam pela Audaces percebem que aqui existe algo de diferente. E Isso tem muito a ver com família, com estar em um ambiente que se gosta de estar. E nós tentamos fazer daqui um ambiente que seja o melhor de todos. Eu tenho muito isso para mim: a Audaces, para mim, é uma casa, eu procuro abraçar as pessoas, me importar com as pessoas. E essa é uma visão que eu e o Grando compartilhamos. Mas, claro, além da questão desta paixão existe ainda o propósito, a busca de resultado, a eficiência. Acredito que essa dinâmica entre como você vive com as pessoas, a busca por desafios, acho que estes são componentes que tornam o ambiente interessante. A gente já passou por diversas ondas e crises e percebemos que existe uma alma aqui dentro que nos coloca para frente. Acho que isso tem muito a ver com a dinâmica da Audaces. É um pouco difícil de explicar, muito subjetivo. Mas eu entendo que isso faz com que as pessoas se motivem.

Grando: Nós criamos a Audaces já com base nestes três valores: Audácia, Colaboração e Resultado. Audácia vem de fazer coisas diferentes, de procurar desafios. A gente age realmente buscando desafios para vencer. A gente quer fazer isso sempre em colaboração: seja em colaboração dentro da Audaces, com nossa equipe, quanto com nossos clientes. Então, nosso segundo valor é a Colaboração e eu tenho muito orgulho disso. E o terceiro valor é Resultado. De novo, a gente tem que trazer resultado para o nosso cliente, para trazer resultado para nós. O nosso lucro é justo a partir do momento em que a gente eleva o lucro do nosso cliente.

Qual a visão da Audaces para o futuro e o que podemos esperar de tecnologia e desenvolvimento em breve?

Ricardo: A gente vem estudando como aplicar algumas tecnologias no mercado. Isso é um pouco de aposta e um pouco de validação do próprio mercado. Às vezes é difícil especificar, eu não gosto de predizer as coisas. Mas a gente está muito nessa linha de digitalização. De que maneira esses componentes da digitalização, da troca de informação e do online repercute na nossa vida. E aí estão os celulares e a própria internet, os serviços, que de uma forma ou de outra estão em uma nuvem que está em volta da gente. A gente está muito ligado nesses aspectos e hoje entregamos tecnologias que ajudam muito nesse sentido. O que eu gosto de pensar é que há 30 anos a gente era uma sementinha e ainda assim creio que fizemos um bom trabalho, plantamos uma bela árvore que deu frutos. Se a gente, há 30 anos, conseguiu construir isso que estamos vivendo hoje, eu fico pensando no que vamos conseguir fazer daqui a 5, 10 anos em função da posição, do conhecimento e da equipe fantástica que a gente tem. Esse aspecto é super promissor. Se hoje temos um presente muito interessante, eu diria até brilhante, eu consigo imaginar o que vai ser o futuro. Porque a gente tem a faca, o queijo, a mesa e todos os componentes para poder realmente construir um futuro muito brilhante.

Grando: Nós já somos uma Fashion Tech reconhecida mundialmente, e a gente quer ser cada vez mais reconhecidos como a Fashion tech mais dinâmica e mais tecnológica para a criação 4.0 e para a sala de corte 4.0, nesse momento. A Audaces já está no futuro, porque as soluções que a gente tem hoje elevam as empresas para um patamar que pouquíssimas (talvez dezenas ou centenas) de empresas no mundo estejam vivendo. Então nós queremos ser reconhecidos como a Fashion Tech mais dinâmica do mercado da moda.

Como vocês se sentem por saber que desenvolveram uma solução que revolucionou a vida dos profissionais de moda e que ainda transformará a vida de muitos outros?

Ricardo: Eu já tive testemunhos pessoais de pessoas que se aproximaram de mim e falaram: “Olha, você mudou a minha vida”. Eu não tinha a intenção de mudar a vida de ninguém, mas percebo que a gente realmente fez uma entrega de valor muito importante, especialmente para aquela pessoa. Acho que similar a isso a gente deve ter muitos outros casos. Eu posso dizer que esse é o sentido da realização. Tem muita gente que atua socialmente em uma causa. A gente atuou socialmente de uma forma muito interessante: ajudando pessoas e famílias a progredirem, a contratarem outras famílias e tudo mais. A gente conheceu empresas muito pequenas que, claro, pela competência dos profissionais que estão lá dentro e também muito pela ajuda das nossas tecnologias, se desenvolveram e se tornaram grandes empresas. E se tivesse uma palavra para dizer: sim, eu sou uma pessoa muito orgulhosa por conta disso. A gente realmente fez uma entrega muito bacana nesses anos de atuação e eu tenho certeza de que isso me preenche, me dá muito orgulho e acho que isso pode ser tratado como uma obra que a gente fez. E eu fico muito feliz por ter chegado até aqui com esse tipo de entrega.

Grando: Essa é a parte mais fantástica e mais gratificante. Receber elogios ou as pessoas virem nos contar que a gente transformou a vida delas, que a gente transformou suas empresas. Uma empresa pequena que surgiu e que cresceu muito porque a gente ajudou. Ou uma empresa gigante, que a gente conseguiu transformar. Temos muitos casos de empresas gigantes que a gente transformou, e isso é fantástico. E a gente transforma isso pelas pessoas. E, ao mesmo tempo, dentro da Audaces, a gente tem histórias fantásticas. Tem pessoas que estão aqui há décadas, e que evoluem o tempo inteiro. E o que me deixa muito feliz é saber que aquele nosso sonho de 30 anos atrás se realizou. O nosso principal objetivo era trabalhar com gente do bem, gente que gosta de desafios. E transformar a vida das pessoas. E isso é muito legal.

O que um profissional precisa ser/ter para trabalhar dentro da Audaces?

Ricardo: Primeira coisa é ter um motor próprio: ter vontade e disposição. Eu acho que para a pessoa se destacar aqui dentro deve buscar por responsabilidade. Às vezes, a pessoa vem até aqui em busca de um ganho, só que esse ganho não vai acontecer se a pessoa não assumir responsabilidade. A gente tem algumas gerações de gestores aqui dentro que, mais do que a questão financeira (que sempre é muito importante e pertinente), vem buscar de que maneira se projetam para frente. E isso só vai acontecer por conta de se agregar responsabilidade e entregar resultado. Acho que isso é uma coisa muito importante. Claro que na etapa inicial da vida de um profissional isso é muito subjetivo. Então dentro da Audaces a gente tem programas de formação de lideranças, que ajuda as pessoas a se liderarem como indivíduos e também a buscar uma liderança diária. Existe também a liderança pessoal – eu consigo fazer as minhas entregas, eu consigo fazer meu resultado. E existe a de grupo, onde você consegue catalisar o esforço de várias pessoas para fazer a entrega também. A Audaces dá espaço para isso. Mas o mais importante é a gente entender que pode ir muito mais adiante do que a aquilo que imaginamos.

Grando: Tem que ter uma identificação grande com os nossos três valores, tem que ser uma pessoa que gosta de vencer desafios, seja em que área for, porque a gente, mesmo nas áreas operacionais, está sempre se desafiando a como fazer melhor. Se a gente quer levar a melhor solução para o nosso cliente, dentro de casa a gente também tem que ter as melhores soluções. Tem que saber trabalhar em colaboração, tem que saber trabalhar em time e para o time. A gente tem certeza de que o resultado só vem se a gente trabalhar em colaboração. E a pessoa tem que gostar de resultado, ou seja, nós estamos aqui para atingir meta, para bater meta, nós estamos aqui para levar soluções inovadoras ao mercado. Nós não estamos aqui para brincar, nós estamos aqui para nos divertir gerando resultado.

A missão da Audaces é “Promover o sucesso do cliente pela indústria 4.0”. De que forma isso acontece na prática?

Ricardo: A gente está falando da Indústria 4.0, que é, justamente, como processos, como equipamentos, como inteligências interagem em busca de melhorar os resultados. Industria 4.0 é um nome para essas tecnologias. Mas a Audaces já faz isso há muito tempo. Muito antes de existir este conceito. Então a Indústria 4.0 vem com uma pegada muito interessante para todos os processos que têm dentro de uma indústria de confecção. E a Audaces já faz isso há um bom tempo. Acho que a Indústria 4.0 vem muito nessa linha de potencializar e dar recurso para o nosso cliente em uma visão diferente da de simplesmente colocar em linha e muito mais. São coisas que acontecem ao mesmo tempo, dando mais eficiência, tornando a empresa mais perene no mercado, porque ela entrega com melhor custo, com mais rapidez, sem erro e com assertividade. E essas são coisas que toda a indústria precisa, e a indústria da confecção mais ainda.

Grando: Nós aplicamos a Indústria 4.0, para resumir, em duas grandes áreas: Criação 4.0 e a Sala de Corte 4.0. Na criação 4.0 a gente tem várias soluções, com o Audaces 360. Dentro do 360 a gente tem a ISA, que é o nosso Fashion PLM. Nós temos o 4D, que é revolucionário para o estilista. Nós temos o Idea, Moldes, Encaixe e o Supera. Ou seja, é um conjunto de aplicativos e de soluções integradas em uma plataforma tecnológica que coloca todas as pessoas da área de criação trabalhando em conjunto e em time. Porque é o que a gente acredita. A criação de moda tem que ser cada vez mais rápida, tem que chegar no mercado cada vez mais rápido, com um custo que o consumidor quer pagar, com o estilo que o consumidor quer comprar. E quem consegue fazer isso de uma maneira mais rápida e eficiente, vende mais. E como é que você faz isso? Com o time de criação todo integrado. Quando você tem processos sequenciais dentro de uma indústria “normal”, digamos assim, 2.0 ou 3.0, é muito comum você ver pessoas da área de criação trabalhando estressadas o tempo inteiro. Estão sempre correndo atrás do cronograma. E aí a criatividade fica em segundo plano. A gente consegue com essa plataforma tecnológica, com esses processos, com nosso conhecimento, mudar a cultura dessas empresas, mudar o ambiente, mudar a performance das pessoas. E elas passam a trabalhar mais felizes, porque elas conseguem se dedicar mais tempo para aquilo que realmente agrega valor na criação e entregar os seus trabalhos dentro do prazo. Outro dia a gente recebeu uma cliente aqui dentro da Audaces e ela disse que, como gerente de criação, ela jamais imaginou que poderia ter uma vida tranquila como a que ela tem hoje, na qual chega para as reuniões na segunda-feira e está tudo dentro do prazo. “A última coleção que eu fiz foi a que mais vendeu na história. Vocês transformaram a minha vida”, ela nos disse. E dá para fazer, a tecnologia está aí para isso. A Audaces não vende mais uma máquina de corte ou uma enfestadeira. Nós vendemos uma sala de corte totalmente integrada e esses equipamentos se conversam, tomam decisões pelo cliente e você consegue ter aí uma sala de corte muito mais eficiente. E, novamente, as pessoas trabalhando se sentem muito mais valorizadas, em um ambiente de trabalho mais tranquilo e muito mais produtivo.

Os 30 anos marcam um reposicionamento Global da empresa, o “We are the Industry 4.0”. O que esse posicionamento representa para a Audaces e quais impactos podemos gerar para o mundo?

Ricardo: O mundo que a gente habita já deixou de ser local há muito tempo. A Audaces está presente em 70 países, e essa presença vem justamente com tecnologias que são encaixadas em alguns nichos da indústria. Quando a gente reforça muito essa questão da Indústria 4.0 significa que a gente tá em um nível acima. Você pega vários processos que são automatizados e os integra. Com essa visão de processos integrados, você tem um ganho adicional corporativo. Não apenas num setor ou naquele nicho, como falei. Isso serve não apenas para o nosso estado, mas para a América Latina e para qualquer lugar no mundo. E o que a gente busca com esse novo posicionamento e com esse viés é chegar a novos mercados que a gente não atua tão diretamente, mas apresentando essa proposta que, mais do que otimizar um corte, uma modelagem ou algo do gênero, a gente automatiza e melhora todo um processo e esse nível de ganho é muito mais alto do que aquele lugar que eu falei.

Grando: Hoje, no mundo, quase a totalidade das indústrias de confecção ainda estão na indústria 3.0. Hoje nós somos uma empresa global, estamos à frente de mais de 70 países com quase 100 mil usuários. O nosso grande desafio e o que a gente realmente quer é levar essa experiência da indústria 4.0 para o mundo. E porque hoje é acessível isso, é fácil: as pessoas podem usar, as empresas podem adquirir. E a gente tem que levar não só a solução, mas o conhecimento para ajudar as pessoas a adotarem essa tecnologia. E nós estamos preparados para isso.

Nestes 30 anos, quais foram os maiores destaques e os grandes aprendizados?

Ricardo: Bom, 30 anos tem muita coisa para contar. Nós tivemos vária fases em que a cada dobrar de esquina, que significa vencer desafios que eram difíceis de se vencer, a gente comemora. Eu me lembro muito da parte inicial, onde a gente tinha que entregar um resultado de otimização como um todo. A gente conseguiu chegar, e isso é muito bacana. Uma outra etapa onde a gente tinha que se tornar internacional, se mover ou entregar de uma forma que possa ser visto no mundo inteiro. A gente sempre teve essa visão de mundo, entendendo que a tecnologia do mundo serve para as várias áreas, e essa troca sempre tem um ganho. Esse é um outro marco. A hora que a gente entrou na fabricação de equipamentos, deixando de ser uma empresa que entregava apenas software e entregamos hardware, também foi um marco. A gente teve, num primeiro momento, a parte de plotter e, num segundo momento, máquinas de corte e enfestadeiras. E isso, esse conjunto de soluções, nos posicionou de uma forma bem destacada. Hoje somos entre duas ou três empresas no mundo que temos a linha inteira de produtos, e isso é bastante representativo. E isso é outro ponto de destaque. Não dá pra deixar para trás também um outro grande marco, quando a gente se estabeleceu fora do país. Algumas tentativas pela América Latina, mas fincamos realmente o pé na Itália, com a nossa filial de lá. E isso é um grande marco. E hoje eu posso te dizer que estamos vivendo um novo marco. Esse marco que a gente batizou de indústria 4.0, onde todas as nossas soluções são integradas. A gente consegue trabalhar como se fosse uma nuvem de solução. E isso torna o mercado explorável de uma outra maneira. No sentido de que ontem eu atuava em um nicho e hoje basicamente eu posso atuar em qualquer nicho de empresa. Então esse é o novo marco que a gente vive e que é uma coisa bem interessante também. A gente já está apreciando muito e os resultados já estão vindo com esse novo posicionamento.

Grando: Bom, aprendizado a gente tem o tempo inteiro. Mas o maior deles é que vale a pena mesmo a gente investir nas pessoas. Sempre que a gente investe nas pessoas que acreditam no sonho da Audaces, a gente acerta. O grande aprendizado é que vale realmente investir nas pessoas, são elas que mudam o mundo. E acho que um dos maiores destaques é que a gente nasceu com o espírito de ser global. Por sermos uma empresa de tecnologia, a gente sabia que não podíamos ser uma empresa de um país só, ela teria que ser global. Nós temos que competir nos mercados mais exigentes do mundo. Então por que que a gente escolheu ser uma empresa italiana também? Porque, na Itália, tem-se efetivamente um grau de exigência altíssimo para a moda. Se não é o maior do mundo, seguramente está entre os três maiores do mundo em termos de exigência. Então, se nós estamos lá e a gente atende bem aos clientes de lá, nós vamos atender bem em qualquer lugar, inclusive aqui no Brasil. Esse é o nosso desafio: a gente nasceu já com o espírito global e estamos nesse nível. E volto a dizer: conquistamos isso com Audácia.

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