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26/07/2013

Virginia Woolf retrata a história dos costumes em livro

Na minha opinião, dicas literárias, tais como dicas relacionadas à cinema, são sempre bem vindas. Portanto, aqui vai uma sugestão literária das mais especiais pra quem se interessa por moda e seus assuntos correlatos. “Orlando”, romance de Virginia Woolf, publicado em 1928, traz à baila a questão da identidade de gênero e é também uma aula diferente e muito contundente sobre a história dos costumes.
 

A atriz Tilda Swinton representa o personagem andrógino no filme Orlando – que é baseado no livro homônimo / Reprodução

A leitura de “Orlando” provoca. Trata-se da história de um jovem rapaz que aos trinta anos torna-se mulher. Cabe esclarecer: esta transformação se dá de forma natural, sem sofrimento e sem que tenha sido um desejo da personagem. Daí em diante, durante os cerca de 350 anos de vida, Orlando vivenciará grandes transformações históricas, sociais e de costumes.

Essa viagem pelo espírito do tempo, que se inicia em meados do século XVI e vai até o início do século XX, é relatada por Virginia Woolf desde a perspectiva de um indivíduo que, a partir da transformação vivida, experiência toda uma nova maneira de se colocar no mundo. A nova indumentária, que influência nos modos e nos gestos, acaba por interferir na própria percepção que Orlando tem da vida.

As roupas, aqui entendidas como representantes da história, são moduladoras das emoções e da razão e parecem ter uma vontade própria. Na verdade, a vontade das roupas está sempre de acordo com a vontade do espírito do tempo, do zeitgeist. Este espírito de cada época apresenta-se a todos nós vestido, ornado e maquiado em papéis sociais.

Esta obra acaba por questionar a liberdade de trânsito que os sujeitos tem dentro destas definições pré estabelecidas. Além disso, é bonita a maneira como a autora descreve as mudanças ocorridas no comportamento da personagem a partir da mudança de sexo. São sutilezas que só um olhar habilidoso e sensível seria capaz de pontuar. Digno de Virginia Woolf.

Por Ana Carolina Steil
Pós Graduanda em Mídia, Moda e Inovação Senac/RS

 

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