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máquina de costura

24/05/2021

História da costura: uma breve linha do tempo

Há um pouco de poesia no vai vem de uma agulha e muita prosa no fio da história da costura. Intimamente ligada à existência e resistência das roupas no desenrolar da linha do tempo, a costura foi e é, ainda hoje, a razão de ser de muitos profissionais, principalmente das mulheres, historicamente falando.

Nas confecções, nos ateliês de alta-costura ou na vizinhança do bairro, seu ofício é nobre e perpassa gerações, no artesanal ou no industrial, dando forma ao vestir e ao se expressar através da moda.

Uma breve história da costura

A costura está tão presente em nosso cotidiano que, se você não conhece uma costureira, pelo menos tem o trabalho dedicado e caprichoso de uma próximo da sua pele.

A costura de roupas é considerada uma tarefa feminina desde o início das sociedades patriarcais e como muitos saberes femininos, a costura à mão, o tear e o bordado eram compartilhados entre as mulheres de geração em geração, como uma herança, uma arte que se perpetuava entre elas.

Por este motivo, falamos aqui em “costureiras”, no feminino, pelo papel e a relação que o ofício tem na história das mulheres, mas também há, é claro, profissionais costureiros que se dedicam à arte milenar de unir duas partes em uma só. Sim, milenar!

A história da costura em si é muito mais antiga que a existência da moda. Vamos conhecê-la? Siga a leitura e descubra como a costura evoluiu ao longo do tempo.

A origem da costura

A história da costura começa provavelmente com as primeiras vestes conhecidas, originárias do período Paleolítico, que tinham a função de proteção contra o frio e eram feitas de materiais aproveitados dos animais caçados para a alimentação. Peles curtidas eram unidas uma na outra o auxílio de ossos, as primeiras agulhas, e tiras de couro, tendões e tripas.

Acredita-se que o uso de lã de animais e fiapos de algodão já eram utilizados no feitio das primeiras vestimentas cerca de 25 mil anos atrás. Há registro de povos nativos na América que utilizavam plantas como a agave, da qual se aproveitava a ponta da folha como agulha e as fibras secas para costurar itens.

Um pouco sobre a história da costura na Antiguidade

No Egito Antigo, as roupas eram artigos destinados aos mais ricos, que usavam vestes de linho com amarrações no corpo e pouquíssima costura. Entre os povos da Pérsia, há os primeiros registros conhecidos de roupas feitas sob medida, reformadas e ajustadas, além de sapatos de couro com amarrações, peças com mangas e outros detalhes adicionados através do corte e da costura de tecidos como lã, linho e a seda vinda da China.

Na Grécia Antiga, o trabalho com fios e tecidos já estava inserido no contexto doméstico das mulheres, que produziam tecidos de lã, seda e linho, unidos em formato de cilindro logo no tear para serem usados como vestes franzidas e acinturadas por cordões, botões e alfinetes. O corte e a costura, de fato, não existiram na Grécia Antiga até o século IV, quando as vestes passaram a ter mais de uma peça, muitas vezes com mangas.

A evolução da costura e o nascimento da moda 

A partir da Idade Média, as roupas ficaram mais elaboradas, com mangas, barras e bordados. Há uma evolução das túnicas para os vestidos para as mulheres, que começam a ter também função estética, além da proteção do corpo. Certos tecidos e cores tinham uso restrito por lei, uma forma de diferenciar nobres e plebeus.

Com essa diferenciação estética e com a ascenção das classes comerciais, surgiu a necessidade de criar roupas especialmente para a burguesia, gerando uma alta demanda aos costureiros na época. Entre os mais ricos era comum contratar alfaiates e costureiras particulares para a confecção de roupas, um artigo caro e que representava o luxo e a riqueza de quem as vestia.

Nas classes mais baixas, as roupas eram remendadas, ajustadas, ou mesmo desmontadas e recosturadas do avesso para esconder o desbotamento do tecido. Eram as mulheres que consertavam e faziam ajustes nas roupas em suas casas, uma atividade possível de ser realizada em casa ao mesmo tempo em que se cuidava da casa e dos filhos.

A máquina de costura e a revolução na Indústria Têxtil 

Com a Primeira Revolução Industrial, a costura e confecção de roupas deixa de ser uma atividade exclusiva dos lares e dos ateliês e passa a ter produção em larga escala, graças à produção de tecidos por maquinários e à invenção das máquinas de costura.

Costureira e máquina de costura Singer em 1907
Costureira utilizando máquina de costura Singer em 1907. Créditos: Getty Images

As mulheres mais pobres que tinham a costura artesanal como fonte de renda não tiveram outra alternativa senão trabalhar nas fábricas e confecções da Indústria Têxtil, que estava em pleno crescimento no século XVIII, ganhando salários insuficientes por mais de 14 horas de esforço diário. Muitas gastavam o pouco dinheiro que tinham para alugar máquinas de costuras e produzir roupas em casa.

Por outro lado, com o preço baixo dos tecidos, as classes mais baixas tinham um pouco mais de acesso aos tecidos e a classe média passou a usar trajes antes vistos apenas entre a nobreza, feitos com máquina de costura. As máquinas de costura tornaram possível a padronização de itens de vestuário, o crescimento das confecções e a produção em massa, o que contribuiu para o crescimento da Indústria Têxtil e, de uma certa forma, para a valorização do artesanal.

A padronização e a alta produção de roupas em escala, que mudaria a história da costura e da moda, geraram uma demanda por exclusividade e maior luxo por parte das classes altas, que sempre procuraram se diferenciar através da extravagância da moda. Nasce então a alta-costura, a confecção de trajes com o maior requinte possível, com tecidos luxuosos e modelagens únicas, sob medida.

O trabalho da costura, entre alfaiates e costureiras

O ofício de costureira que sempre foi fonte de renda para as mulheres não era visto como uma profissão de prestígio, ao contrário da profissão dos alfaiates. Se antes o papel da mulher era atrelado ao contexto doméstico, inclusive na atividade da costura, durante as revoluções na Indústria Têxtil elas eram limitadas ao chão de fábrica e aos fundos dos ateliês de alfaiates renomados.

Pintura O Alfaiate de Giovanni Battista Moroni 1565-1570
O Alfaiate, de Giovanni Battista Moroni (1565-1570)
Pintura A Costureira de Diego Velázquez 1650
A Costureira, de Diego Velázquez (1650)

Na França, por exemplo, até meados da segunda metade do século XVII apenas homens alfaiates eram reconhecidos como profissionais e podiam prestar serviços e vender trajes, mesmo contratando costureiras para as produções, longe do aval dos estatutos. Após reinvindicações de costureiras, o rei autorizou o exercício oficial das mulheres na profissão como forma de garantir uma vida honesta, combinado ao argumento de que seria mais adequado que as mulheres e as crianças fossem vestidas por outras mulheres.

O traje exclusivo e a roupa pronta para vestir 

A necessidade de vestir algo exclusivo deu origem à alta-costura, conceito de produção artesanal e sob medida, com tecidos finos, pedrarias e modelos luxuosos. É na alta-costura que a costura reforça seu caráter artístico, que permanece vivo até hoje.

Peça no ateliê de Alta Costura Dior
Look de alta-costura de primavera-verão da Dior, ainda no ateliê. Créditos: Dior
Desfile primavera-verão 2020 alta-costura Dior
Look em desfile de alta-costura de primavera-verão 2020 da Dior.

A alta-costura foi a origem de diversas maisons, a primeira delas pertencente ao inglês Charles Frederick Worth, pioneiro também nos desfiles com mulheres modelos, substituindo a exposição de roupas em cabides e manequins. A alta-costura ainda é um termo utilizado para representar criações de grandes casas de moda como Chanel, Dior e Versace, apesar de ter perdido parte de seu espaço para um outro conceito de moda: o prêt-à-porter.

Como o termo em francês deixa claro, o prêt-à-porter é um conceito da moda “pronta para vestir”, possibilitado pelo avanço tecnológico nas revoluções industriais e disseminado a partir da Segunda Guerra Mundial. A modernização dos processos produtivos democratizou a moda, produzindo em larga escala, com maior qualidade e variedade. De repente, no lugar da alta-costura, as peças de prêt-à-porter de grandes estilistas passaram a ser muito mais desejadas, um fenômeno impulsionado pela publicidade.

Look prêt-à-porter Chanel 2021 na passarela
Look prêt-à-porter Chanel em desfile de primavera-verão 2021. Créditos: Chanel.
Look Chanel prêt-à-porter
Look Chanel prêt-à-porter em loja virtual oficial oficial. Créditos: Chanel.

A arte da costura nos dias de hoje

Olhos atentos, mãos habilidosas, dedicadas e caprichosas. Um conhecimento que hoje se ensina nas escolas de moda, mas que se concretiza na prática. Mesmo com a tecnologia da moda se aprimorando dia após dia, a profissão da costura permanece até hoje, firme e forte.

No Brasil é comemorado em 25 de maio o Dia da Costureira, categoria que movimenta cerca de R$ 4,5 bilhões por ano, 5% do faturamento do setor de Vestuário, segundo a Associação Brasileira do Vestuário (Abravest).

As costureiras e costureiros estão nas confecções, nos ateliês e em suas casas, fazendo reparos, roupas sob medida e criações famosas. São responsáveis por tornar real a ideia do estilista e dar forma ao trabalho do modelista. Diante de tamanha importância para a moda, não há quem negue que a costura, além de ser um ofício essencial, é também uma arte.

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