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26/07/2017

Como fazer a gestão financeira de uma empresa de confecção

A indústria têxtil e do vestuário é uma das mais importantes do mundo. Não apenas pela cadeia produtiva expressiva espalhada por todas as regiões e que está avaliada em US$ 3 trilhões, mas principalmente pela forte capacidade deste setor em gerar emprego. Em constante transformação, essa indústria exige que cada empresa de confecção esteja atenta ao mercado e às suas próprias contas.

De acordo com o site Fashion United, apenas a indústria têxtil e de vestuário saltou de 34,2 milhões de pessoas empregadas nos anos 1990 para chegar a 57,8 milhões em 2014. As empresas de confecção, que empregavam 14,5 milhões de pessoas nos anos 1990, chegaram a 24,8 milhões em 2014.

 

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Os números expressivos mostram a importância deste perfil de empresas em todas as partes do mundo. Mas nem tudo são flores. Ao mesmo tempo em que esse setor tem registrado crescimento nas últimas décadas, ampliando não apenas o número de empresas, empregos e o faturamento das companhias, a mortalidade das companhias segue maior do que a média de outros setores.

Um dos fatores para isso acontecer é que, muitas vezes, os empreendedores que investem em uma empresa de confecção estão mais acostumados a desenvolver o lado criativo e artístico do que as qualidades de gestão. Mas para ter uma empresa que perdure durante o tempo, é fundamental cuidar da saúde financeira da sua companhia.

A primeira dica que o Sebrae dá para a gestão financeira de uma empresa de confecção é para que sejam implantados alguns relatórios gerenciais que ajudem a acompanhar periodicamente a performance da organização.

Quando você for construir o plano de negócio da sua empresa ou quando você for rever este plano é importante que você observe alguns pontos-chave que estão relacionados com a gestão financeira da companhia. Os quatro pontos fundamentais são:

1. Gasto que será feito (investimento inicial ou para renovação tecnológica, custos e despesas);
2. Preço de venda;
3. Escala, Ponto de Equilíbrio e Margem de Contribuição;
4. Retorno do investimento.

O Sebrae salienta que “todas as decisões que forem tomadas na formatação da empresa terão impacto direto no volume de vendas, no volume de gastos, no preço e, principalmente, na lucratividade da empresa e na rentabilidade do seu investimento”. Ou seja, trabalhar com esses indicadores é um passo fundamental não apenas para a criação da empresa de confecção mas, também, para a avaliação periódica dela.

O que observar na gestão financeira da sua empresa de confecção

1. Gastos da companhia

Antes de partir para o empreendedorismo, é fundamental você conhecer a fundo a realidade do mercado e dos gastos que você terá com uma empresa de confecção. Evite estimativas e rompantes de otimismo. Procure conhecer a fundo a composição de gastos que você terá ao empreender.

Separe os gastos em três partes: investimentos, custos e despesas. Devem ser considerados investimentos iniciais aqueles gastos necessários para a montagem da empresa – etapa anterior ao funcionamento do negócio. Esses investimentos – que incluem instalações, equipamentos, materiais de consumo e utensílios, estoques, entre outros – , podem ser feitos com capital próprio ou com linhas de crédito e devem ser recuperados após um prazo que será estabelecido pelos sócios.

O retorno do investimento inicial será feito através do lucro que a empresa vai dar conforme ela entra na fase operacional. Por isso mesmo que, no início, o lucro é voltado para repor o que foi gasto para montar a empresa de confecção. Depois desta fase é que a companhia será capaz de gerar lucro de forma adicional.

Descontados os gastos iniciais para a implantação da empresa de confecção, os gastos que a companhia terá regularmente para produzir os seus produtos devem ser classificados como custos de operação. Os gastos regulares da marca para vender os seus produtos devem ser classificados como despesas comerciais.

Esses dois tipos de custo – de operação e comercial – ocorrem constantemente. Por isso mesmo é vital que você tenha o controle deles diariamente, mensalmente e de forma permanente. É importante que você observe que estes custos e despesas devem ser recuperados a cada venda – ou seja, a precificação dos seus produtos deve levar em conta estes gastos e também o lucro que você pretende atingir com cada unidade.

2. Gestão de custos

Quando a empresa está em pleno funcionamento, você terá três tipos de gastos: custo variável, despesas fixas e despesas comerciais. Na fase de implantação da empresa de confecção você deve fazer uma estimativa – o mais realista possível – sobre estas despesas. Depois, terá que fazer um processo seguro para apurar e manter esses gastos sob controle – sob pena de perder fluxo de caixa e comprometer a saúde financeira da companhia.

A gestão de custos é vital para a empresa porque toda companhia deve ter como objetivo gerar lucro para ser sustentável ao longo do tempo. E a definição do lucro é a receita que a empresa consegue obter de sua produção descontados o custo variável, as despesas fixas e variáveis.

Os custos variáveis são os gastos que a empresa de confecção terá em função da aquisição de algum produto, componente ou matéria prima utilizados na produção. Uma boa gestão de custos variáveis procura sempre as melhores oportunidades do mercado, seja com o uso de materiais alternativos que melhorem o retorno de cada peça seja com uma negociação justa e favorável para a empresa com os seus fornecedores, por exemplo.

As despesas fixas compreendem todos os gastos que a empresa de confecção terá durante a sua operação e que não estão relacionadas com nenhum produto especificamente. Ou seja, essas despesas se referem, por exemplo, ao custo da energia elétrica, da água, com o aluguel, com a manutenção das máquinas, com salários dos funcionários, com materiais de consumo, entre outros itens.

As despesas comerciais são aquelas que a empresa de confecção terá toda vez que aumentar a sua clientela. Esse tipo de despesa varia conforme o volume de vendas e o volume de clientes. De acordo com o Sebrae, esse tipo de gasto está relacionado, normalmente, com impostos, contribuições e comissões dos vendedores.

3. Preço de venda

Para fazer frente a todas as despesas que a sua empresa precisa fazer diariamente e mensalmente é vital que você tenha uma boa precificação para cada produto. Afinal, é o faturamento obtido a partir das vendas que fará com que a empresa de confecção consiga manter as portas abertas e ainda dar o retorno esperado para os sócios.

As duas perguntas fundamentais que você deve fazer para estabelecer o preço de venda que você vai praticar são as seguintes: “Qual o preço ideal que se deve cobrar para cada produto?” e “Qual deve ser o faturamento mínimo da empresa?”.

Na definição dos preços você nunca pode ignorar o mercado e a sua concorrência. Por isso é importante que você observe o preço que é praticado por outras empresas e se o que você está cobrando está acima ou abaixo.

Você terá condições de concorrer com preços acima do mercado apenas se a sua marca conseguiu um patamar diferenciado em relação à concorrência – se for, por exemplo, uma marca desejada. Se a sua situação não for essa, o caminho mais prático será a redução dos custos – uma forma de conseguir fazer isso, muitas vezes, é investindo em tecnologia. Sempre e quando houver capital para isso.

4. Ponto de equilíbrio e margem de contribuição

Não basta colocar o preço em um produto que cubra os custos variáveis, as despesas comerciais, contribua para pagar as despesas fixas (a chamada margem de contribuição) e que gere lucro. Você deve levar em conta também o ponto de equilíbrio ideal para a empresa. Mas como definir/identificar esse ponto de equilíbrio?

O ponto de equilíbrio representa a quantidade de venda que precisa ser feita todos os meses para que seja gerada a receita suficiente para pagar todo o custo variável, todas as despesas comerciais e todas as despesas fixas daquele período. Ou seja, ele leva em conta tudo o que precisa ser vendido para que o negócio fique no “zero a zero”: sem lucro e sem prejuízo.

Muitas empresas conseguem uma boa venda de produtos que tiveram, na composição de preços, a parcela prevista para o lucro e que, ainda assim, fecham o mês no prejuízo. Isso acontece porque essas companhias não venderam o número suficiente de produtos que ultrapassasse o ponto de equilíbrio. Se esse for o seu caso, está na hora de rever a estratégia de vendas ou de preços para que a empresa supere este ponto.

5. Retorno do investimento

Nos primeiros anos da empresa de confecção ou em cada novo investimento importante feito na companhia – como renovação da planta fabril ou agregação de tecnologia – é importante que você busque o retorno do investimento. Ele não será feito no primeiro mês e, dependendo do aporte feito, nem no primeiro ano. Mas é importante que ele esteja previsto nos resultados da empresa e que seja quantificado.

Um negócio só é viável, na prática, se ele tem a capacidade de retornar ou devolver o investimento realizado nele – seja o inicial, seja o incremental feito de tempos em tempos com a renovação tecnológica. A capacidade da empresa de confecção de fazer isso é chamada de taxa interna de retorno. Essa taxa deveria ser sempre maior do que a propiciada por outros tipos de investimento.

6. Fluxo de caixa

Um elemento fundamental para o negócio ser sustentável é um fluxo de caixa que permaneça no “azul”. O fluxo de caixa é o seu grande aliado nas decisões diárias da empresa. Os processos fundamentais para entendê-lo é conhecer detalhadamente sobre a entrada e a saída do dinheiro.

Mas para fazer uma boa gestão de fluxo de caixa você deve cada vez mais fazer previsões de entrada e de saída de dinheiro realistas e ajustadas. De acordo com o Sebrae, para uma empresa viável tudo se resume a datas. Ou seja, primeiro entra o dinheiro dos clientes para depois ele sair para os seus fornecedores e pagar todos os tipos de despesa.

Se você tem muitas compras e vendas a prazo e muitos compromissos futuros, é fundamental organizar um bom fluxo de caixa para não se perder nos números. Esteja atento a dois formatos de controle: organização de recebimentos já compromissados com pagamentos já compromissados; e organização de metas de recebimentos de vendas que sua empresa deve se empenhar para realizar no futuro com compromissos que a empresa deverá assumir e que levarão a desembolsos no futuro.

O primeiro fluxo de caixa, que compreende a organização de recebimentos já compromissados com pagamentos com a mesma característica deve ser atualizado diariamente ou, no mínimo, a cada semana. O segundo tipo de fluxo de caixa demonstra a situação financeira que você projeta para a empresa e deve ser feito semanalmente ou mensalmente.

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