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12/06/2013

O valor agregado e o belo no Barroco (Parte 2)

A comparação entre as peças das coleções de Christian Lacroix (1998), e Dolce & Gabanna feita no primeiro texto, iniciou a discussão sobre o belo e o “valor agregado” a um produto (expressão a qual será abordada conceitualmente no último texto desta série).

O porquê dessa abordagem, a criação de ambos os estilistas em épocas diferentes, tem por objetivo colocar em relevância um dos principais elementos de sucesso de suas coleções luxuosas: os tecidos. Alguns significados intrínsecos a esses materiais nos farão entender o que os tornam tão especiais comercial e conceitualmente.

Conforme Peter Thorton (Barroque and Rococo Silks, 1965), entre os anos 1640 e 1700, no Século XVII, os tecidos barrocos deram vida a suntuosos vestidos e casacos masculinos. Àquela época tornaram-se objetos de arte, sobretudo através de um tecelão chamado Jean Revel (1684-1751): o “Rafael dos tecidos”.

 

 Jean Revel, 1748/ Fonte: site V&A

É importante dizer que seus tecidos eram elaborados em técnicas anteriores ao tear jackard. A criação de suas luxuosas padronagens têxteis, com efeitos tridimensionais, implicava na realização de desenhos em papéis quadriculados (mise en carte) e toda a montagem do tear.

 

 

 

 

 

 

Ilustração de um padrão têxtil de Jean Revel

Tecidos: Relevância maior à forma até o advento de Paul Poiret, no início do Século XX, e voltam a ser valorizados à concepção da forma na coleção da Dolce & Gabanna: belo como valor agregado ao produto.

 

 

 

Padrão têxtil e tecelagem de 1735/40 (E) e exemplar da coleção de inverno da D&G, 2014/ Reprodução 

       
Coincidência ou não, Jean Revel será tema de uma mega exposição no Victoria and Albert Museum, em 2014! Objetivo: “inspirar” designers têxteis, estilistas e consumidores de moda.

Os padrões barrocos reaparecem, ganham vida nas coleções da D&G e tornam-se tendências junto às coleções de lojas de departamento. O significado dos tecidos corresponde às estratégias de Marketing das empresas. O belo, como diferencial, é fundamental. Assim como Lacroix, em 1997, a D&G entende o contexto onde situam seus produtos.

Nos séculos XVII e parte do XVIII, o Barroco foi inventado para conter a Contra-Reforma. No século XX, apareceu na coleção de Lacroix, em plena crise econômica americana de 1997/98. Hoje, reivindica o mesmo poder a uma Europa assolada pelo desemprego.

O significado das coleções é claro: uma postura otimista frente a tempos incertos. O luxo dos tecidos barrocos resgata esperança e vigor de dias melhores.

Por Joelma Leão
Professora Universitária e Consultora de Moda, Educação e Comportamento de Mercado

 

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