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20/10/2014

Lanvin eternamente

Por Kledir Salgado
Designer de moda com Mestrado em Têxtil e Moda pela USP

Escrita entre as mais importantes casas de moda francesa, a Lanvin comemora 125 anos. Sua fundadora Jeane Lanvin costurava para deslumbrar a filha e, fazendo isso, deslumbrava o mundo.

A Lanvin é a mais antiga casa de Moda de Paris e nasceu do amor de uma mãe para uma filha, o amor de Jeane por Marguerite, materializado em tecidos, cortes, bordados, formas e texturas. Ao mimar a filha com vestidos altamente sofisticados – desde 1889, quando trabalhava como modista no número 22 da Rue du Faubourg Saint-Honoré, sonhando com voos mais altos -, não só inventou a moda infantil, como despertou o interesse de todos os que viam Marguerite Blanche.

Assim, a roupa de criança foi o primeiro departamento da marca, criado em 1908. As mães das pequenas clientes mais que depressa se apaixonaram pelo intrincado método de Jeanne e com o aumento da procura adulta nascia em 1909 a Lanvin com sua inscrição na Câmara Sindical de Alta-costura parisiense.

Foi por entre os céus e os campos de lavanda de Florença que Jeanne se deixou perder num afresco do pintor Fra Angelico: o azul quattrocento era tão intenso para uma alma de artista que rapidamente se tornou a sua cor de segurança. Era o nascimento do Azul Lanvin. E posteriormente houve o verde Velazquez, o rosa Polignac, todos criados em homenagem a sua filha.

A necessidade intrínseca de experimentar e criar novas cores levou Lanvin a abrir em 1923 uma fábrica de tingimento. As cores florais, juntamente com os brocados, os embelezamentos e as pedrarias, tornaram-se o símbolo da riqueza e suntuosidade de uma identidade que perdura até hoje.

Jeanne distanciou-se dos eventos sociais, concentrando-se nas suas ambições. Impôs a sua ideia de Moda, no tempo em que “Moda” não chegava a ser ainda um conceito, e alargou-a para uma visão de lifestyle (estilo de vida), penetrando no mercado da roupa de homem, roupa de criança, peles, lingerie, decoração e sportswear, tudo isso na década de 20 do século passado.

Outro marco importante na história de Lanvin foi quando, em 1924, criou a Lanvin Parfums SA. Três anos depois, durante a comemoração do trigésimo aniversário da filha, Jeanne criava Arpège, o icônico perfume inspirado no som das notas de piano tocadas por Marguerite – que suplantou o êxito de My Sin, lançado em 1925. O frasco esférico de Arpège era embelezado por uma ilustração de Jeanne e Marguerite a caminho de um baile, figura que viria, em 1954, a tornar-se o logotipo da casa.

 

 

 

 

Logotipo Lanvin:1954

Com a morte de Jeanne em 1946, a direção da casa de moda passou para a filha até o ano de 1958 e depois ao sobrinho de Jeane Yves Lanvin que esteve à frente da dinastia Lanvin. Após Yves teve um grande rol de criadores, dentre eles:

– Castillo, nas coleções femininas (1950–1963);
– Bernard Devaux, nos acessórios e posteriormente nas linhas para mulher (1960–1980);
– Jules-François Crahay, na alta-costura (1964–1984);
– Christian Benais, no pronto-a-vestir masculino (1972), sendo depois substituído por Patrick Lavoix (1976–1991);
– Maryll Lanvin, nas linhas femininas (1981–1989), substituída por Robert Nelissen (1989–1990), entre 1990 e 1992;
– Claude Montana ocupou-se da alta-costura, enquanto Eric Bergère dominava o pronto-a-vestir;
– Dominique Morlotti começou por se ocupar das duas linhas de ready-to-wear, dominando posteriormente apenas a masculina (1992–2001), em 1996;
– Ocimar Versolato ocupou o trono feminino, passando-o, em 1998, a Cristina Ortiz.

Em 2001, tinha início a odisseia de Albert Elbaz. Nascido em Casablanca, no Marrocos, chegou à Lanvin com a visão apaixonada, só antes vista em Christian Dior: o seu desejo último é construir vestidos nos quais as mulheres se enamorem. Continuando a tradição maternal de Jeanne, criou a linha de noivas Blanche – nome do meio de Marguerite Lanvin – que segue a mesma premissa que a linha de pronto-a-vestir: o conforto. Para Alber, a mulher cumpre tantas funções que o propósito da Moda só deve se enaltecer na sua liberdade.

Comandando inicialmente todas as atividades criativas, Alber passou, em 2003, o legado do menswear a Martin Krutzki e em 2005 a Lucas Ossendrijver, cuja precisão construtora tem ditado tendências até hoje. Em 2010, numa catapulta para o conhecimento das massas foi lançada uma coleção-cápsula Lanvin para a magazine H&M, colocando assim todas as mulheres do mundo aos pés de Elbaz, na premissa de que o júbilo vem com um vestido Lanvin.

 

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