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20/08/2013

Haute Couture: do pós-guerra à atualidade

Durante a Segunda Guerra Mundial o racionamento, a penúria e o clima criado pela ocupação alemã levaram a costura a um acentuado declínio. Mas, os alemães compreenderam que a Haute Couture representava um capital – tanto no sentido simbólico como no econômico – e tentaram tirar de Paris a prerrogativa de sede da alta-costura. Também os americanos seguiram o mesmo raciocínio, e após a vitória, acreditaram ter suplantado a velha Europa e o prestígio de Paris. Por isso é da maior importância o talento francês de Christian Dior, surgido em 1947.

new-look, criado por Dior, marca a volta da mulher-mulher, depois de um período de inspiração militar. E a alta-costura vive seu melhor momento com o surgimento de novos nomes e uma infinidade de novas propostas criativas. Após os anos 1950 e o advento do prêt-a-porter, as mudanças de mentalidade e a redução do poder aquisitivo causaram um decréscimo no número de clientes.

Para ser chamado de uma casa de alta-costura, um negócio deve pertencer à Câmara Sindical de Alta-Costura em Paris, que é regulamentada pelo departamento da indústria do governo francês. Mesmo a contragosto, todo grande costureiro deve seguir algumas regras para pertencer à Câmara Sindical da Alta Costura Parisiense, criada em 1868: empregar mais de 19 pessoas; só executar modelos sob medida; apresentar à imprensa, duas vezes por ano, pelo menos 75 modelos diferentes; e preparar 45 apresentações particulares para a sua clientela.

 

Casas de Haute Couture precisam apresentar cerca de 150 modelos diferentes à imprensa por ano/ Reprodução

Atualmente, cerca de duas mil mulheres, em todo o mundo, continuam vestindo alta-costura, sendo que apenas 20% delas são clientes regulares e compram cerca de quatro modelos por estação. As casas de alta-costura geram mais de US $1 bilhão em vendas anuais e empregam perto de 5.000 pessoas, incluindo 2.200 costureiras. Os profissionais muitas vezes especializam-se em uma área, como penas, tecido, botões, sapatos etc. Mas antes da segunda guerra mundial, 35.000 pessoas trabalharam em casas de alta-costura e em 1959, cinco mil assalariados e três mil auxiliares de costura viviam deste trabalho.

A Chambre Syndicale de la Haute Couture é presidida por Didier Grumbach e a Haute Couture é um rótulo legalmente protegido e controlado que só pode ser usado por aquelas casas de moda que tenham conseguido a concessão. O grupo de empresas que utilizam o rótulo Haute Couture é revisto anualmente.

Atualmente esse clube é formado por cerca de 30 membros (couturier ou costureiro), sendo alguns considerados sócios permanentes (por estarem baseados na França), outros como sócios correspondentes (por terem o padrão equivalente, mas ter sua sede em outros países, reflexo da globalização de mercados), alguns são membros convidados (por ainda não terem solidez de mercado e notoriedade), além de algumas empresas de joias e acessórios com produtos a altura do requinte.

A lista oficial das maisons de alta-costura em 2012 estava composta por: MEMBROS PERMANENTES – Adeline André, Atelier Gustavolins, Chanel, Christian Dior, Christophe Josse, Franck Sorbier, Giambattista Valli, Givenchy, Jean Paul Gaultier, Maurizio Galante e Stéphane Rolland.

MEMBROS CORRESPONDENTES – Versace (com a linha Versace Atelier, Itália), Elie Saab (Líbano), Giorgio Armani (com a linha Armani Privé, Itália), Maison Martin Margiela (Bélgica) e Valentino (Itália).

MEMBROS CONVIDADOS – Alexandre Vauthier (desde janeiro de 2011), Alexis Mabille, (desde julho de 2007), Bouchra Jarrar (desde 2010), Iris Van Herpen (desde julho de 2011), Julien Fournié (desde janeiro de 2011), Maison Rabih Kayrouz (desde julho de 2008) e Yiqing Yin (desde janeiro de 2012).

JOALHERIA – Boucheron, Chanel Joaillerie, Chaumet, Dior Joaillerie e Van Cleef & Arpels.

ACCESSÓRIOS – On Aura Tout Vu, maison de accessórios (joias) e costura, de Yassen Samouilov e Livia Stoianova, que desfila durante a Semana da Alta-Costura em Paris como membro convidado desde julho de 2004.

O preço médio de um vestido é 10 mil dólares, vendido exclusivamente na maison, sob encomenda. Feita a partir do zero para cada cliente, a roupa de alta costura, normalmente, requer pelo menos três provas e geralmente leva de 100 a 400 horas para fazer um vestido. Os preços variam de US $26.000 para mais de 100 mil dólares, um terno sob medida tem preços a partir de US $16.000, e a média de um vestido de noite é cerca de US $60.000.

Por Maria Alice Rocha
Doutora (PhD) em Design de Moda

Para saber mais:
Visite http://modeaparis.com/en
Ou consulte
1. DURAND, José Carlos. Moda, luxo e economia. São Paulo: Babel Cultural. 1988. 135p.
1. LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras. 1989. 294p.
1. O’HARA, Georgina. Enciclopédia da moda. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. 299p.
1. VINCENT-RICARD, Françoise. As espirais da moda. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1989. 249p.
 

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