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10/03/2014

Fetichismo da mercadoria aborda comportamento de produtos

Por Eduardo Vilas Bôas
Professor de Moda do Senac SP

Fetiche (do francês fétiche (1605), que significa “sortilégio, amuleto”, que por sua vez deriva do vocábulo português feitiço (séc. XV) e, este, do latim factitìus, que significa "artificial, fictício") é um objeto material ao qual se atribuem poderes mágicos ou sobrenaturais, positivos ou negativos. (HOUAISS, 2001).

“Para a sociedade capitalista, o padrão maior de avaliação tende a ser a coisa, o bem, o produto, tudo é julgado como coisa, portanto tudo se transforma em coisa – inclusive o homem.” (COELHO, T., 1980, p.11 apud FERREIRA, 2007, p.08). Todas as relações sociais giram em torno da mercadoria, dos desejos de compra e venda para a circulação do capital e obtenção do lucro, através do consumo.

É Karl Marx quem defini fetichismo da mercadoria ao afirma que o Capitalismo transformou os produtos do trabalho humano em mercadorias, atribuindo-lhes características humanas (e ao mesmo tempo “coisificando” o ser humano), como se possuíssem vida. Para Marx, nas sociedades capitalistas, "os objetos materiais possuem certas características que lhe são conferidas pelas relações sociais dominantes, mas que aparecem como se lhe pertencessem naturalmente". Essa síndrome, que impregna a produção capitalista, é por ele denominada fetichismo da mercadoria. (BOTTOMORE, 1983, p.149 apud FERREIRA, 2007, p.08).
 

 

A teoria de Marx aborda a personificação dos produtos e a “coisificação” do ser humano/ Reprodução

O conceito de fetichismo ficou inicialmente restrito ao campo da Antropologia, mas foi depois utilizado pela Psicologia, principalmente por Freud, e pela Sociologia, sobretudo por Marx.

Tanto que, no âmbito sociológico, discute-se o fetichismo cultural, vinculado não a fenômenos religiosos ou a comportamentos de caráter psicopatológico, mas a um valor atribuído a objetos, em determinados meios culturais. Alguns sociólogos consideram que as relações socioeconômicas nas sociedades ocidentais contemporâneas criam uma cultura fetichista, pela qual a posse de certos objetos confere uma valorização pessoal especial ao indivíduo.

A sociedade de consumo tenderia assim a produzir desvios sociais e a provocar o abandono de objetivos vitais básicos pela adoção de estereótipos dos grupos sociais privilegiados, como automóveis, iates, roupas, alimentos exóticos e caros etc.

Outra importante manifestação do comportamento fetichista são certos movimentos juvenis espontâneos, em torno de fenômenos como a música moderna, a moda etc., os quais às vezes adquirem um valor "transcendente" e acabam por desempenhar, além de suas funções imediatas, o papel de elementos de identificação com o grupo, de afirmação dos próprios valores ou de rebeldia ante a ordem estabelecida.

Fetiche do valor é […] um conceito teórico, que busca explicar de modo crítico um fenômeno específico do capitalismo […]. Trata-se de um princípio de socialização que converte as pessoas em meros suportes para a produção e permuta de mercadorias, com o fim de transformar valor em mais valor, de modo que o capital, em suas diversas encarnações – dinheiro, meios de produção, mercadorias –, se torna o verdadeiro sujeito social e as pessoas, objetos. (SCHNEIDER, 2005, p.07).

A teoria econômica e política para o fetiche desenvolvida por Marx, central em sua obra, consiste numa ilusão que naturaliza um ambiente social específico, revelando sua aparência de igualdade e ocultando sua essência de desigualdade, alienando o indivíduo. O fetichismo da mercadoria, postulado por Marx, opõe-se à ideia de "valor de uso", uma vez que este refere-se estritamente à utilidade do produto. O fetiche relaciona-se à fantasia (simbolismo) que paira sobre o objeto, projetando nele uma relação social definida, estabelecida entre os homens.

 

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