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20/11/2013

A representatividade do corpo na sociedade e na moda

Por Ana Luiza Olivete
Designer de Moda, Professora e Consultora Empresarial

“Moda não é somente roupa, e sim uma simbologia, o reflexo da sociedade, que nos permite entender os acontecimentos de determinado período”. (SOUZA, 1987) Assim, os corpos vão se transformando, metamorfoseando, evidenciando e, algumas ou diversas vezes, causam estranhamento; fatos que elucidam que a sociedade contemporânea já não permite seguir padrões, e pede para que sejam despidos os preconceitos e limitações que impeçam o entendimento de que, as mudanças são decorrentes e tudo o que parece agradável a um, pode ser nada agradável a outro.

Através da aparência de nossos corpos poderemos ter a aceitação social ou não. Representamos nele nossas expectativas e também os controles sociais. O tratamento cultural manifestado no corpo em nossas sociedades contemporâneas nos proporciona categorias fundamentais de identidade e subjetividade pessoal numa determinada cultura, assim como ao seu sistema de valores, tornando-se um determinante da identidade social.

“O corpo social domina a maneira como o corpo físico é percebido. O corpo individual (físico e psicológico) é adquirido no nascimento, mas o corpo social torna-se vital ao corpo físico que queira se “enquadrar” e compreender o que uma determinada sociedade fornece como padrões, e as expectativas que tem em relação a cada indivíduo.” (MUSSON, 1998)

Para Le Breton (2004), “o corpo não é uma versão irredutível de si mas uma construção pessoal, um objeto transitório e manipulável suscetível de variadas metamorfoses segundo os desejos do indivíduo”, onde se cria uma realidade provisória ou duradouramente escolhida, cheia de bagagem estética e simbólica, que os difere ou os iguala aos demais nesta nossa sociedade.
 

Body Art/ Fonte: site Mundoalterado

“A moda pode ser definida como a parte mais visível (mais notória na atividade social), da inconstância humana, da necessidade de novidade e de mudança que experimentam os indivíduos nas modernas sociedades ocidentais.” (HETZEL apud NEVES, 2000)

Referências
MUSSON, M. T. A Cultura da Manequim, anorexia nervosa e bulimia: uma reflexão antropológica sobre cultura e doença. 1998, 119f. (Mestrado em Antropologia Social) – Pós-Graduação em Antropologia Social – Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis: 1998.

NEVES, Manuela; BRANCO, João. A Previsão de Tendências para a Indústria Têxtil e do Vestuário. Lisboa: TecMinho, 2000.

LE BRETON, David. Sinais de Identidade: Tatuagens, Piercings e outras marcas corporais. Tradução: Tereza Frazão. Lisboa: Miosótis, 2004.

SOUZA, Gilda Rocha de Mello e. O espírito das roupas: a moda no século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

 

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