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19/11/2014

Slow fashion: produção consciente na moda

Em contraposição ao fast fashion, o slow fashion surge como um movimento que traz à tona um ritmo mais adequado para o bem-estar e desenvolvimento pessoal, social, econômico. A professora do Senai em São Paulo, Dilara Rúbia, fala em entrevista sobre este assunto e destaca que o slow fashion esta ganhando espaço no mercado.

Na sua opinião, o que é Slow Fashion?
Dilara Rúbia – O "Slow Fashion" pode ser definido como um movimento internacional vinculado aos princípios da Filosofia Slow (Slow Cities, slow foods, slow sex…). O movimento slow preconiza que vivamos no ritmo adequado para o bem-estar e desenvolvimento pessoal, econômico, social, comunitário e ambiental.
 
Este movimento teve origem no Slow Food, em 1986, na Itália, movimento que contrariava os valores e a cultura associados ao fastfood massificado, impessoal, de sabores hegemônicos. Na sequência, tornou-se um conceito e até selo de certificação de qualidade ´slow cities´, para designar cidades pequenas e com qualidade de vida, ou quando se referir a grandes metrópoles como São Paulo, organizações urbanas de cada bairro, rua, que busquem maior conforto aos moradores, empregadores, empregados e visitantes de uma determinada região.
 
Alguns de seus princípios:
– Qualidade sobre a quantidade;
– Equilíbrio entre as diferentes áreas da vida;
– Ambiente físico limpo e harmonioso;
– Respeito às diferenças;
– Redução do desperdício;
– Produção mais limpa;
– Desenvolvimento sustentável;
– Solidariedade e responsabilidade social;
– Fortalecimento das culturas locais e tradicionais;
– Ciência aplicada aos desafios da sociedade;
– Relações globais de respeito;
– Respeito aos Direitos Humanos;
– Qualidade de Vida;
– Defesa da vida plena;
– Modelo de produção justo;
– Comércio justo.
 
Os adeptos do slow não se encaixam num perfil único, pois é um movimento, e como tal, é um guarda-chuva que abriga vários segmentos, como o eco fashion, confort Fashion, customização industrial, economia criativa, ateliê de moda sob medida, alfaiatarias e camisarias, "faça você mesmo", consumo ético e responsável, design universal, design estratégico e autoral, moda atemporal e reciclagem/reuso.
 
O slow fashion pode ser adotado por empresas de confecção?
Dilara Rúbia – Não tenho dúvidas, ao afirmar que o slow fashion tem vez e pode ser adotado por empresas de confecção. Ousaria dizer que deve ser adotado. Como mencionei anteriormente, há mais de uma dezena de desdobramentos do movimento Slow Fashion e, a maior parte deles, está diretamente ligado a cadeia de valor Têxtil e Moda: o uso de produção mais limpa, o tratamento de efluentes, o uso de materiais ecofriendly na confecção de peças, a customização industrial, uma menor dependência internacional – seja de insumos ou de referências -, um tratamento tributário mais justo para os empresários nacionais, uma vez que atendem a questões sanitárias dos produtos e relativas as condições de trabalho, que muitas vezes são negligenciadas por artigos estrangeiros que adentram nosso solo, numa concorrência desleal.
 
O Brasil é uma marca forte internacionalmente e podíamos como indústria promover esta brasilidade, pelo resgate de comunidades tradicionais e regionais, que podem agregar valor aos produtos industrializados. Ora, são todos quesitos do modelo slow.
 
Na sua opinião, o consumidor brasileiro está disposto a pagar mais para ter um produto diferenciado, de maior durabilidade e mais caro?
Dilara Rúbia – Sem dúvida, um produto slow fashion agrega valor ao produto. Ele passa a ser mais valorizado por camadas formadoras de opinião e isso pode levar a capacidade de se cobrar mais por ele. Cabe observar, no entanto, que nem sempre a agregação de valor do produto implica em maior custo de sua produção.
 
É natural associar "slow" a devagar pela tradução literal, entretanto, não é produzir de forma lenta, é fazê-lo com qualidade em todos os aspectos: do produto, dos processos, de trabalho, de vida e planetária. Não somente na minha opinião, fundamentada em dados de pesquisas do IPEA, DATAPOPULAR, o consumidor brasileiro, paulatinamente, está reconhecendo tais critérios como agregadores de valor ao produto e está disposto sim a pagar por isto.
 
Pesquisa do IPEA indica que os consumidores brasileiros declaram que têm preferência por produtos de empresas social e ambientalmente responsáveis, em sua maioria. Este desejo, também revela a pesquisa, não se traduz na mesma medida na efetivação da compra, que alcança menor percentual da população. Mas, a curva é crescente no sentido de cada vez mais, mais pessoas estão incluindo o critério sustentabilidade na opção de compra.
 
Uma pesquisa do DATAPOPULAR sobre a atual Classe C, demonstra que este público busca o critério qualidade no momento da compra. E também por produtos de grife, por verem nestas marcas maior credibilidade. Mas preferem os produtos nacionais, como afirma o instituto, brasilidade é um valor para a classe C.
 
Na sua opinião, existe uma tendência de que nos próximos anos o Fast Fashion seja abandonado?
Dilara Rúbia – O Fast Fashion é um modelo de consumo, mas antes de tudo é um modelo de produção. Um jeito de se produzir confeccionados, que gerou uma aceleração da já acelerada sazonalidade desse setor da indústria. Criam-se estímulos de consumo exacerbado, o que leva as confecções a terem de entregar, algumas vezes, duas coleções por semana. É descomunal e leva a um movimento de autofagia, de auto destruição, pela excessiva competição entre as confecções e em condições muitas vezes desprivilegiadas em relação ao concorrente externo.
 
Como todo modelo usado a exaustão, ele tende ao desgaste e a diminuição do aceite e uso. Mas não acredito em extinção do mesmo. Julgo necessário é encontrarmos outras formas de competir, em bases mais justas, limpas e humanizadas, de tal forma que não só consigamos construir um presente próspero e rico, mas que estas condições sejam garantidas para as gerações futuras.
 
É possível dizer que existe uma tendência para que a fabricação de roupas seja cada vez mais sob medida e confeccionada em ateliês?
Dilara Rúbia – Quando se fala de tendência, há que se falar no plural, tendências. A fabricação de peças sob medida é uma destas grandes tendências, corroboradas pela tecnologia de scanbody. Mas, não necessariamente, feitas somente em ateliês. Existem formas industrializadas de atender esta demanda.
 
Qual o principal objetivo do slow fashion?
Dilara Rúbia – O Slow Fashion é um movimento internacional que busca fazer com que as pessoas sejam mais felizes. Todos os stakeholders (empresários, trabalhadores, cidadão consumidor, comunidade em que a empresa se insere…). É um jogo do ganha-ganha.

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