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15/01/2013

Ronaldo Fraga e o diálogo entre roupas, memórias e croquis

Na semana passada, finalmente, consegui conferir a mostra Caderno de Roupas, Memórias e Croquis, do estilista mineiro Ronaldo Fraga. Para profissionais e estudantes de moda, comunicação, artes, design e fãs de carteirinha do estilista (mas não só! Titubeio ao usar essa classificação, que não me parece suficiente para dar conta das múltiplas faces de Ronaldo Fraga. Talvez estilista-artista-designer-escritor-ilustrador-contador de histórias), seria um pecado perder essa exposição!

Dividida em nove ambientes, a exposição reuniu fragmentos do acervo das 35 coleções do estilista, que, visivelmente, abdicam de uma visão totalizante sem, contudo, perder de vista traços característicos do processo criativo do estilista. A produção de Ronaldo Fraga foi compartilhada com o público através de roupas, sapatos, vídeos, acessórios, materiais gráficos e objetos de afeto, que distribuídos em instalações, revelam traços (singulares) do seu universo criativo.
 

Para além de roupas, o que Ronaldo Fraga nos apresentou (em consonância com o perfil de suas coleções) é uma tessitura, uma narrativa do tempo contemporâneo. Segundo o próprio Ronaldo Fraga, em entrevista sobre a exposição e seu processo de criação, “tem arte popular brasileira, tem literatura, tem política, tem música, tem cenografia, tem moda, tem tragédia e comédia, tem o olhar de espreita sobre a crônica diária do nosso tempo”. A interface entre linguagens, manifesta, se expõe bastante rica ao largo universo explorado pelo estilista.

É uma pena que a mostra estivesse em seus últimos dias – na realidade, para minha sorte (e demais retardatários ou desavisados) a mostra que se encerrava em dezembro foi, oportunamente, prorrogada. Desejei ter o tempo para uma segunda visita (é que para mim, uma segunda leitura é compulsória quando sou inundada por emoções). Assim, poderia esmiuçar e me deliciar com as histórias contadas pelo estilista.
Os ambientes como um todo estavam belíssimos, mas me chamaram a atenção, especialmente, o espaço Para onde a moda me levou, o Espaço Costela de Adão e Moda como biografia – temas que serão revisitados em outro post.

Em Para onde a moda me levou, malas acomodaram objetos, livros, miniaturas, referências, experiências que compõem parte da “bagagem” usada por Ronaldo para desenvolver suas coleções. “Aqui o caixeiro viajante é o próprio estilista, que expõe fragmentos de pesquisas e desenvolvimento de várias coleções”*.

Moda como biografia é um guarda-roupa de memórias. Ronaldo invoca Arthur Bispo do Rosário, Pina Bausch, Zuzu Angel, Louise Bourgeois, Nara Leão, Carlos Drummond de Andrade para construir suas roupas-memória. “Ícones da literatura, música e artes visuais como fontes de pesquisa”*.

 

 

Além do esmero nas instalações, o cuidado e atenção a detalhes revelam o perfil vigilante e o olhar sensível de Ronaldo Fraga. Jogo/instalação de espelhos no banheiro, design gráfico na porta dos elevadores, lúdica na sinalização do ambiente do Palácio dos Despachos…

Impossível discorrer/narrar/descrever/expressar o que vi/senti, assim, de modo tão breve. Ronaldo trata de assuntos que nos são muito familiares; até porque, para nós, mineiros, os temas incitam longas e acolhedoras conversas, daquelas que se tem na cozinha, ao “pé do fogão” a lenha. Momento de cuidar da alma, alimentá-la com conversas que fazem bem ao coração… Assim, sem a pretensão de, no melhor estilo mineirês, “encerrar a prosa”, registro minhas impressões amiúde.

Saí da exposição com a impressão de que Ronaldo Fraga quisesse arquivar uma história. Penso que, talvez, uma história impossível de ser contada apenas por meio de palavras, em um texto escrito e impresso.

Ah, segundo informações da Assessoria de Imprensa do evento, a exposição deve seguir para outras capitais. Enquanto isso não acontece, dá para conferir um pouco dessa experiência no vídeo abaixo.

 

 

 

 

 

 

 

* Circuito Cultural Liberdade

Por Clícia Machado
Consultora da Federação das Indústrias de Minas Gerais

 

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