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06/06/2013

Rei Kawakubo e uma reflexão sobre o feminino

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A moda dos anos 80 foi marcada pela chegada a Paris de um grupo de estilistas japoneses que viria para questionar conceitos como beleza e forma de vestir. Eram eles Issey Miyake, Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo.
 

 

Da esquerda para a direita: Rei Kawakubo, Issey Miyake e Yohji Yamamoto/ Fonte: site Duo de Luxo

 

 

Chamados “Hiroshima Chic” pelas referências que faziam a bomba atômica e ao fim do mundo, foram responsáveis por trazer o pauperismo à moda, onde o preto se impunha em construções que poderiam ser associadas às roupas dos moradores de rua.

A única mulher do grupo, Rei Kawakubo trouxe formas arquitetônicas e esculturais para o vestuário, que em nada se parecem com o jeito ocidental de vestir da mulher. Tecidos naturais, tingidos com ervas, cores neutras como preto, cinza e tons terra, em construções repletas de valores ancestrais e ecológicos dão tratamento diferenciado aos volumes e às proporções.

A roupa ganhava novo equilíbrio pela presença de comprimentos irregulares e pelas superposições assimétricas. A estilista fundou a grife Comme des Garçons e tem formação em filosofia, arte e literatura, o que, sem dúvida, ajuda a determinar esse olhar conceitual sobre o vestir e, consequentemente, sobre a condição da mulher.

As construções esculturais, que se voltam mais para a estrutura da roupa do que para a sua superfície, fazem paralelo à ideia de que a alma feminina deve ser olhada com mais cuidado.

Nada há de sensual na roupa de Rei Kawakubo: o salto é baixo, a maquiagem praticamente não existe, há pudor e reserva. Apesar de declarar jamais ter pensado na questão da mulher enquanto ser social e nunca ter se interessado pelo feminismo, Kawakubo questiona a condição feminina pelo simples ato de deslocamento oriente/ocidente.

 

 

 

 

 

 

 

A estilista Rei Kawakubo pelo estilo não sensual de suas roupas/ Fonte: site Flur Magazine

 

Suas roupas desconstruídas, com barras desproporcionais e montagem desconexa nos causam estranheza. Imagine a mulher brasileira, faceira e descontraída, usando traje que muda suas proporções e não exibe o corpo violão.

Ainda que não seja intencional, o trabalho da estilista propõe uma reflexão fundamental sobre o universo feminino, donde se pode questionar a natureza da sensualidade da mulher e a influência do olhar masculino na construção da mesma.

É sempre interessante pensar na confusão da figura que criamos para apresentar ao mundo com o nosso eu. Rei Kawakubo, de maneira artística e poética, faz isso através das roupas.

Por Ana Carolina Steil
Pós-Graduanda em Mídia, Moda e Inovação Senac/RS

 

 

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