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14/05/2015

Essência no processo criativo de moda

Por Kledir Salgado
Designer de moda com Mestrado em Têxtil e Moda pela USP

Ao pensarmos em essência para um objeto podemos usar o postulado de Benjamim (1992), que denomina tal qualidade de aura, ou seja, o conjunto dos traços de autenticidade, autoridade e unicidade das obras de arte, aquilo que faz do objeto algo único e irreproduzível. A perda da aura ou essência é consequência das alterações impostas pelo surgimento da cultura de massa e pela reprodução técnica, que em certo sentido alteraram os pressupostos sociais do que era considerado obra de arte.

O conjunto dos traços de autenticidade, autoridade e unicidade das obras de arte pode ser aplicado à moda quando recoberta de qualidade aurática, isto é, unicidade irreproduzível com refinamento técnico.

O vestuário não tem apenas a função de proteger do frio, ele vira o adorno e, ao mesmo tempo, são criados os acessórios. Quando se fala em processo criativo para moda, deve-se lembrar que a primeira regra é respeitar as aspirações do consumidor.

O criador de moda é como o artista: um visionário. Ele precisa ser atípico, simultâneo e suficientemente original e forte, para impor suas ideias; e humilde, para prestar atenção ao que os outros dizem. (CASTARÈDE, 2005, p. 67).

Alexis Mabile, Primavera Verão (2014)
Fonte: Style (2014).

Para conseguir atingir os desejos que seus clientes têm, o criador de moda deverá utilizar tanto técnicas de pesquisa de opinião quanto estudos de motivação para fazer uma leitura de toda simbologia, a fim de traduzir em produtos a essência do zeitgeist (espírito da época, clima cultural etc.) vigente.

O quadro, a seguir, sintetiza as variáveis pelas quais um criador de moda que busca desenvolver produtos com aura ou essência deve guiar-se:

Quadro 1 – Variáveis criativas de moda que busca ter essência

Variável

Método

Incursões ao passado

Um exemplo desta variável foi a busca ao passado nas primeiras coleções de alta-costura. Na França revolucionária, a moda do período do Diretório (1797-1799) reabilita a túnica clássica, longa, inteiriça e meio justa inspirada na túnica greco-romana, e o vestido de cintura alta, bem como o recorte abaixo do busto. Esta mesma influência será retomada por Paul Poiret, no início do século XX.

 

Incursões ao universo da arte

Outro fator que é determinante no processo criativo da moda é a relação desde o princípio da alta costura com as artes plásticas exercidas pelos pintores e artistas sobre a moda. Segundo Castarède (2006), a arte abstrata determinou em grau considerável o design de moda de luxo. Uma experiência muito interessante é a de Sonia Delanay (1885-1979), que deixa profundas marcas no segmento dos tecidos estampados. Antes da Primeira Guerra Mundial, Poiret, ao visitar Viena, conhece as obras de Klint e foi profundamente influenciado por elas. Poiret foi o primeiro artista, em suas criações de moda, a recorrer ao pintor Raoul Dufy para desenhar seus tecidos.

Refinamento técnico

A moda toma dimensão simbólica do consumo e se reveste de uma significação social, jogando com diversos fatores de ordem cultural que condicionam as representações coletivas: fatores econômicos, sociológicos, políticos, religiosos, filosóficos. Estes fatores são somados ao refinamento tecnológico, que retira o espaço para o mal feito, o inacabado, o acaso, o desleixo e a improvisação. No luxo não existe mais ou menos, existe o aperfeiçoamento das técnicas em cada etapa do processo produtivo.

 

Costura e confecção

Costura e confecção se distinguem claramente. A primeira veste as mulheres sob medida, ao passo que a segunda se dirige à Sra. “Todo Mundo”. Embora na origem os dois ofícios sejam aparentemente um só, a confecção, mais dinâmica, assume o risco da estocagem ao produzir de antemão modelos segundo medidas ditadas pela experiência e passíveis de ser oferecidos a preços mais acessíveis. Rapidamente, cada profissão se desdobra, intensificando suas respectivas vantagens. Uma procura enfatizar o luxo e o savoir-faire que se exige dela, exaltando a criatividade, ao passo que a outra se padroniza a fim de torna-se mais competitiva. Durante esse processo, ambas se moldam aos limites e exigências de uma sociedade dividida de modo irremediável em duas classes sociais bem distintas (GRUMBACH, 2009, p. 33).

 

Protótipo

 

Realizam os modelos em tecidos de qualidade inferior, entretanto, com propriedades físicas semelhantes. São experimentados processos estéticos e produtivos para a construção da peça original.

 

Reprodutibilidade

 

Realizam modelos protótipos e confiam a fabricação dos modelos em série às empresas de confecção, com as quais firmam um contrato de concessão.

 

 

Criação autoral

 

 

Realizam eles próprios seus modelos nos ateliês próprios ou nas fábricas que lhes pertencem.

 Fonte: Autoria Própria.

Referências:
BENJAMIN, Walter. Passagens. Belo Horizonte: UFMG, 2009.
CASTARÈDE, J. O luxo: os segredos dos produtos mais desejados do mundo. São Paulo: Barcarolla, 2005.
GRUMBACH, Didier. Histórias da moda. São Paulo: Cosac & Naify, 2009.

Leia mais:
Dicas para potencializar o processo criativo de moda
Ser um designer de moda
Moda de ocasião

 

 

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