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28/11/2014

E a moda hoje? Como podemos definir? – Parte 3

Por Julia Picoli
Docente no curso de Moda da Feevale e consultora de produto de Moda

 

 

No post anterior falei um pouco sobre o início do ciclo da moda. Neste vamos estudar um pouco sobre as teorias de propagação da moda. Após a consolidação da moda como mudança, busca por diferenciação e sua inserção total na sociedade, vamos entender mais sobre as teorias de propagação da moda desde seu início.

A teoria mais conhecida sobre moda é a de George Simmel, que é denominada de "trickle down effect", que define as mudanças na moda como um processo de imitação das elites sociais por parte de seus inferiores. Esta teoria indica que as classes mais altas iniciam as tendências de moda e estas fluem para as classes médias e depois descem e atingem as mais baixas classes sociais.

Esta teoria funciona como uma pirâmide, sendo o seu topo ocupado pelas classes dominantes, seguindo-se a classe média e as classes mais baixas. Assim a moda seria propagada aos grupos inferiores, pelo movimento "trickle down", ou seja, de cima para baixo. Isto significa que os grupos sociais inferiores tentam adotar os símbolos dos grupos superiores procurando subir na escala da mobilidade social.

Podemos então considerar que com estas mudanças no vestuário o mesmo deixou de ser um fenômeno raro ou acidental e passou a regular os prazeres das classes dominantes, instaurando o culto das novidades. Quanto mais as classes inferiores copiavam, mais a classe alta mudava, passando a cultuar essas mudanças e a apreciar as novidades, fazendo com que elas começassem a ser cada vez mais presentes na sociedade.

Se até ao século XVIII as inovações se difundiam das classes altas para as mais baixas, a partir do século XIX, com o surgimento da Alta-Costura, o conceito de moda sofreu algumas modificações, tornando o costureiro o “ditador de moda”. Assim, era ele quem decidia o que seria adotado pelas classes altas e mais tarde imitado pelas classes menos favorecidas. A Alta-Costura foi pioneira no lançamento de tendências – como as conhecemos hoje – ditando conceitos, formas, estilos e cores que seriam imitados pelas indústrias. A definição das tendências, durante cem anos, dependeu quase exclusivamente das visões de moda proposta pelos costureiros franceses.

Se no início as tendências eram ditadas pela corte, depois pelos costureiros, no período que antecede a II Guerra Mundial era definida pelos adultos e copiada pelos jovens. Nas décadas de 50 e 60 a moda voltou-se para um novo grupo de consumidores, os adolescentes, também chamados de "baby boomers" – jovens que impuseram ao mundo um novo estilo e um novo comportamento. Foi neste momento que a moda saiu dos ateliers e começou a ter mais contato com as ruas, ou seja, a moda de rua passou a ser adotada pelas classes superiores. Aconteceu assim a “consagração da juventude”, mais preocupada com a originalidade e a espontaneidade, o que revigorou a moda. Ao fenômeno "trickle down effect", proposto por Simmel, veio associar-se o seu inverso, o "trickle up effect", que defende que a moda se difunde de baixo para cima. Isto acontece devido à crescente influência da cultura jovem na moda, causando grandes mudanças na sociedade. As modas consideradas incomuns são usadas nas classes sociais mais baixas e podem subir para outras classes mais elevadas. Por exemplo: punks, góticos, surgiram no underground londrino e emergiram para a moda da classe média.

Então, já percebemos mudanças no ciclo da moda. Passamos de uma questão hierárquica para uma questão social. No próximo post veremos a sequência desta evolução.

 

 

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