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01/09/2014

O prazer com os produtos

Por Maria Alice Rocha
Doutora (PhD) em Design de Moda

O prazer com os produtos

Uma das teorias que associam o consumo com o design de produtos é aquela proposta por Jordan (2000), numa adaptação da teoria original de Tiger (1992), relacionada ao campo da filosofia. Jordan estendeu a interação do consumidor com os produtos da funcionalidade à prazebilidade, considerando a usabilidade – o prazer com os produtos – como o ponto mediano. Portanto, compreender as pessoas holisticamente se torna uma atividade bastante complexa no desenvolvimento de produtos.

A estrutura do modelo de Jordan (2000) – o prazer com os produtos – considera quatro tipos de prazeres. (1) o prazer Physio: vinculado aos cinco sentidos humanos, como o tato, o paladar, o olfato, etc. (2) o prazer Socio: gerado principalmente das emoções oriundas do relacionamento com outras pessoas, onde a sociedade, o status e a imagem exercem uma grande influência. (3) o prazer Psycho: vinculado às reações cognitivas e emocionais das pessoas, incluindo as demandas cognitivas relacionadas com a experimentação dos produtos e das suas reações emocionais. E (4) o prazer Ideo: compreendido nos valores que as pessoas carregam, e o aproximando das considerações estéticas e dos valores que o produto contém.

Vale ressaltar que na indústria da moda-vestuário, tanto o processo de consumo como o produto propriamente dito podem levar à prazebilidade. Para Jordan (1999), o prazer com os produtos pode afetar o humor do usuário, trazendo benefícios emocionais. Os benefícios hedônicos são aqueles advindos dos elementos sensoriais e estéticos do produto, enquanto que os benefícios práticos estão vinculados às propriedades que se espera que o produto possua. A abordagem dos prazeres considera todos os benefícios potenciais combinados.

Considerando que mensuração de variáveis que não estejam relacionadas a atitudes, estilo de vida e grupos de influência não são muito comuns em marketing, uma abordagem sob esse ponto de vista pode trazer vantagem competitiva para a indústria, fazendo uso dos resultados para a customização das roupas. Adicionalmente, as análises podem auxiliar na criação de valor sob uma perspectiva tanto de um atendimento com maior precisão, como das expectativas de um consumidor específico, oferecendo um produto com maior qualidade.

Considerar o prazer com os produtos no planejamento de produto da indústria de moda-vestuário pode, certamente, trazer alterações no cenário atual, inclusive com a reconquista de marketshare perdido.

Referências:
JORDAN, P.W. (1999). Pleasure with products: Human factors for body, mind and soul. In: Jordan, P.W. & Green, W.S. (eds.) Human Factors in product design: Current practice and future trends. London: Taylor & Francis, pp. 206-217.
JORDAN, P. W. (2000) Designing Pleasurable Products: an introduction to the new human factors. London: Taylor & Francis.
ROCHA, Maria Alice V. & RAMOS, Francisco S. Análise Estratégica da Indústria do Vestuário Brasileira. Anais do XIX ENEGEP. Rio de Janeiro: UFRJ, 1999.
TIGER, L. (1992) The Pursuit of Pleasure. Boston: Little Brown.

 

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